quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

"GOSTO, ANTES DE TUDO, DE AMAR!"

 Gosto, antes de tudo, de amar!

Tenho que dizer tudo o que gosto?
Gosto de conversar contigo assim...
Ouvindo música lenta, olhando teu rosto
Lindo, teus trejeitos femininos...
Gosto daquelas pinturas ali na parede de
Picasso, Van Gogh, Leonardo da Vinci, Salvador
Dali... Aquela lareira ardente, relíquias sutis,
Rosas cheirosas... Enfim... Gosto tanto de ti, amor!
Sou caboclo amazônida, mas sinto-me bem
Em me chamar a mim de “caboco tapajoara”, assim
Sinto o cheiro de maresia, patichuli e pataca
De Iara, a mãe das águas... Irresistível!
Não lembras? Gostamos das noites enluaradas
Em Alter do Chão, um copo de limãozinho na mão,
E o visual fosforescente do luar sobre
As escamas das sereias, dos peixes, dos
Flocos d´água ou respingos dos banzeiros
Do Tapajós! Nós dois, dois copos de limãozinho,
A areia removida feito ninho forrado com
Os nossos lençóis... Além do murmúrio do rio,
Gemidos de amantes no cio, o farfalhar das folhas
Sob o vento e o lamento noturno da guariba
Em riba dos galhos dos brejos e igapós...
Nas noites estreladas, gosto de ver as estrelas
Caídas, as idas e vindas de pescadores,
Tarrafeando ou zagaiando, nas suas canoas...
Depois do amor o vento carregara um odor
Convidativo de peixe assado na praia...
Uma piracaia de tucunaré e pescada, depois
De renovar uma forte lambada de cachaça na
Cuia do pescador... Que felicidade!
Mas, tem mais querida! Gosto de caminhar
Pelas sendas da floresta ou pelas trilhas
Do campo e me saciar com a lida dos insetos,
E a alegria dos passarinhos! Filhinhos queridos
De Deus! Cantores, construtores do meio-ambiente...
Não era à toa que São Francisco de Assis os mimava,
E acreditava que tinham alma, que deviam ser protegidos,
Queridos e admirados! Maltratá-los significa
Ficar em débitos com o céu, com os santos e
Com os anjos! Santo Deus perdoe esses ateus!
Mas querida, gosto de tantas coisas mais...
Está na hora de dormirmos, vamos parar com isto...
Tomemos duas taças de vinho e que venha
A lascívia... Gosto de me enrolar nas tuas curvas,
Adentrar nos labirintos que podes me oferecer e
Sentir teu ventre tremer e agir com se estivera a sonhar
E desvanecer e dormir... Acordar rejuvenescido, amando
Mais que o dia que passou. Pronto pra trabalhar
Até o sol declinar, para amar outra vez...
Este é, querida, todo o meu gostar!

Paulo Paixão o poeta do Tapajós          

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