sexta-feira, 10 de junho de 2011

A DIVISÃO DO PARÁ NA OPNIÃO DA FRANSSINETE FLORENZANO

Sou de Santarém - apontada como futura capital do estado do Tapajós -, favorável ao plebiscito, mas contra a divisão do Pará, que seria, no mínimo, precipitada. Apesar das décadas em que é apregoada essa ideia, até hoje não há um só estudo de viabilidade econômica que justifique o desmembramento territorial – o que deveria preceder qualquer iniciativa nesse sentido. O que é fato é a sede de poder dos que sonham em comandar as novas unidades a serem criadas. É inegável o interesse de políticos pelos muitos cargos que surgiriam, na instalação dos três Poderes e Tribunal de Contas, além das vagas na Câmara dos Deputados e no Senado.
 
Conheço o abandono a que foram e estão relegadas as regiões oeste e sudeste do Pará e o Marajó. A PA-254, por exemplo, que interliga todos os municípios da Calha Norte do rio Amazonas, jamais foi asfaltada, apesar das reiteradas promessas dos governantes de plantão. A falta de energia elétrica nunca permitiu que o comércio se fortalecesse e a indústria ao menos nascesse, assim como no Marajó, onde o IDH miserável reflete a ausência do Estado em ações de saúde pública, de educação e acesso à Justiça. Na área do pretenso estado de Carajás, a violência recrudesce. As listas de marcados para morrer são anunciadas e a promessa cumprida, debaixo dos narizes oficiais. O trabalho infantil e a redução à condição análoga à escravidão são tristes recordes nacionais.
 
Mais justo, desejável e eficaz seria que todos os políticos se unissem de fato em prol do Pará, como prometeram em campanha e juraram sobre a Constituição. Que trabalhassem com afinco para garantir investimentos para suprir nossas enormes carências, que fossem em busca da captação de recursos externos, que cobrassem o cumprimento das leis, que se portassem com a dignidade que a representação popular exige.
 
Se ao invés de pleitear cargos e influência os políticos lutassem para que em todos os municípios funcionassem, por exemplo, a Defensoria Pública, o Ministério Público e a Magistratura estaduais; escolas em tempo integral e com ensino de boa qualidade; postos de saúde equipados com material e recursos humanos suficientes e hospital de urgência e emergência; rodovias em boas condições de tráfego, demarcação fundiária correta, assistência técnica e financiamento à produção, o Pará seria melhor. Seria rico não só em recursos naturais que deixam bolsões de prostituição, desabrigo, desemprego e impactos ambientais. Seria grande e uno em suas particularidades em meio à diversidade. 
 
Opnião do blog: Respeito o pensamento da amiga, mais vamos lutar em favor do Tapajós.  

3 comentários:

  1. Caríssimo, muito obrigada pela honra de reproduzir em seu blog meu post. Celebro a pluralidade de ideias e creio que o debate é fundamental para vivermos melhor em comunidade.

    Grande abraço.

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  2. Toda essa falácia já está saturada. O Pará é um estado com mais de 400 anos e o único modelo de desenvolvimento foi e sempre será este que vemos hoje.
    O Governo do Pará é conhecido historicamente por descumprir ordem judicial. Agora imagine se um deputado do "interior" (como nos chamam na capital com tom exclusivamente pejorativo) seria capaz de interceder por nós???? O estado não cumpre nem as ordens do poder judiciário imagina o que eles fazem com os representantes dos "interioranos".
    Interesse político LOGICAMENTE que existe. O meu interesse não é político e sim em concursos públicos, ou seja, cada um tem seus interesses, seja político, financeiro, artístico, social...isso é a lógica do capitalismo!!!
    Agora temos que lutar sim pelo Estado do Tapajós, pois tenha certeza absoluta...acreditar que o Estado do Pará e sua pequena e Pompo$$$a elite da capital irá por benevolencia se privar de seus confortos, é algo totalmente utópico...seria como acreditar que Chaves e sua particular e impositiva revolução bolivariana irá tornar a Venezuela modelo de desenvolvimento social e econômico para o resto do mundo!!

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  3. Eu abomino Chávez e seu modelo. Concordo que os sucessivos governadores, ao longo dos séculos, sempre marginalizaram o oeste e o sul do Pará, assim como o arquipélago do Marajó. Reitero, ainda, que a consulta direta à população é medida correta.

    Mas todos os estudos técnicos apontam as muitas dificuldades que serão criadas com a divisão, superando as vantagens.

    E os políticos dessas regiões podem e devem, sim, deixar de pedir secretarias, emendas e benesses de cunho pessoal e partidário e lutar de fato pelas regiões que os elegeram.

    Eles sabem que há muitos modos de obrigar o governo a investir em todo o Pará. São os deputados que aprovam a Lei de Diretrizes Orçamentárias, o Plano Plurianual, os empréstimos externos e outros projetos do Executivo. Portanto, têm, sim, como pressionar e obter atenção a todo o território parauara, inclusive garantindo na própria LDO a especificação do local da aplicação dos recursos.

    Ao invés disso, negociam o que?

    Comecem a perguntar para quem você votou o que ele tem feito de fato ( e não lari-lari) pela região que o elegeu. E perceberão que esse discurso separatista não passa de instrumento para enganar - de novo - a população.

    Abraço a todos,muito obrigada e parabéns ao JKCampos pelo espaço. Vida longa ao seu blog!

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