sexta-feira, 10 de junho de 2011

O POETA DO TAPAJÓS

A grande roda fechou...

No início os campos, os riachos,  
A natureza enfim... mas tinha  
As brincadeiras de moleque: jogo de patela,  
Botão, peteca, um pulo de flecha no rio...

Noutra fase, o sabor das músicas românticas,
 
Dose escondida de cachaça e o disfarce  
Do chiclete...  
Uma tiete de mini-saia, de beleza extrema  
E os beijos e abraços no cúmplice escuro  
Do cinema...

Perguntas, inquietações,
 
Conversas e brigas com os anjos.  
Lições da vida, que ferem e deixam  
Marcas...  
A força de um olhar, que fundo  
Influencia a alma,  
A revolta, as primeiras decepções.  
Os que falam em paz são os mesmos  
Que fomentam a guerra...  
A mente não está preparada  
E se atordoa...

Melhor é andar à toa, fumando numa boa,
 
As folhas que nos causam  
Alucinações...  
Pelo menos, fala-se cara a cara  
Com os caras do bem e do mal...

Depois se centra na gente mesmo
 
Encara-se o ente que se escolhe  
E não é mole encarar a vida  
Da faculdade, numa fase de inconformismo!

A caminhada varou vales, pântanos, planícies
 
E montanhas...  
Continua a revolta?  
É evidente que continua...  
Agora, dando topadas em robôs, naves, chips,  
Conectores e atores da multimídia, reatores e  
Outras tecnologias mais...  
Comunicação em alta velocidade  
E a vaziez dos corações...  
Os hospitais não dão conta de socorrer  
As vítimas de depressões...  
Carros que se chocam, conflitos, informações e  
Desinformações...

Fogem uns, outros, acuados ficam mesmo
 
Sob os ângulos dos paredões, opressivos,  
Dependentes dos comprimidos,  
Mas, acostumados com os gemidos  
E afeitos aos encontrões da vida urbana.

A roda fechou...
 
Voltei aos campos, aos riachos,  
À natureza enfim...  
Não mais para jogar patela, botão ou peteca,  
Mas, em mim, o desejo ardente de buscar meu Senhor  
Nas coisas mais simples da vida...  
Louvá-Lo, talvez, através da pureza de uma flor!
 
Do meu amigo e poeta Paulo Paixão

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